A Siemens encerra OpenRadioss e fecha repositório no GitHub. Entenda o impacto no open source industrial e o que fazer se você depende do solver de crash.
Em 1º de outubro de 2026, a Siemens confirmou o encerramento do OpenRadioss, a versão open source do solver de elementos finitos Radioss que a Altair havia aberto sob licença GNU AGPL em 2022.
A decisão pegou a comunidade de engenharia de simulação de surpresa: não se trata apenas de uma mudança de nome ou de um redirecionamento de site, mas do fechamento definitivo do repositório no GitHub e da remoção do código-fonte do acesso público.
Para quem depende da ferramenta para simular crash, impacto e dinâmica explícita, o impacto é imediato.
O que exatamente a Siemens anunciou
A página de transição da Siemens informa que o OpenRadioss “está passando por uma nova fase” e que os visitantes interessados em soluções de simulação de crash e impacto devem explorar o Simcenter Radioss e o novo Programa de P&D da Radioss.
Na prática, isso significa duas rotas: a versão comercial Simcenter Radioss, que exige licenciamento pago, e um programa de pesquisa fechado que a Siemens chama de “Shared Source”.
O ponto mais crítico para a comunidade é o desaparecimento do repositório. O endereço github.com/OpenRadioss/OpenRadioss agora retorna erro 404.
Não houve arquivamento, não houve preservação do histórico público. O código que estava sob AGPL permanece legalmente utilizável por quem já o possui, mas não há mais um local oficial para obtê-lo, contribuir ou acompanhar atualizações.
A justificativa da Siemens
Em comunicado a Siemens afirma que “após quatro anos de pesquisa bem-sucedida impulsionada pela comunidade, a Siemens está entrando em um novo capítulo para o solver Radioss.
Para acelerar a inovação e fornecer o suporte robusto que nossos usuários globais exigem para simulação de nível de produção, estamos consolidando nossos esforços”. A empresa posiciona a mudança como uma consolidação estratégica, não como um abandono da tecnologia.
Por que o OpenRadioss importava
O Radioss é um solver de elementos finitos desenvolvido originalmente pela Altair Engineering, utilizado há décadas nas indústrias automotiva, aeroespacial e de defesa para simular desde testes de colisão até o desdobramento de airbags.
Em setembro de 2022, a Altair tomou uma decisão incomum para o setor: liberou o Radioss como open source sob o nome OpenRadioss, com licença GNU Affero GPL.
A promessa era dupla. Por um lado, oferecer à academia e a pequenas empresas um solver de produção sem custo de licença. Por outro, alimentar o ecossistema comercial com pesquisa externa e inovação distribuída.
Engenheiros podiam rodar simulações de choque em seus próprios clusters, modificar o código em Fortran e publicar resultados sem restrições de propriedade intelectual.
O que a comunidade perde agora
A perda vai além do acesso gratuito. O modelo “Shared Source” que a Siemens propõe é um meio-termo entre open source e código proprietário: o acesso ao código-fonte só ocorre mediante aprovação, acordo e participação em projetos conjuntos com a Siemens.
Não há mais contribuição aberta, não há forks públicos, não há transparência de roadmap. Para as startups e pesquisadores independentes, isso representa uma barreira significativa.
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O que acontece com o código já publicado
Se você já possui uma cópia do OpenRadioss sob o AGPL, ela continua válida. A licença GNU AGPL garante que qualquer pessoa que tenha obtido o código pode usá-lo, modificá-lo e redistribuí-lo sob os termos da licença.
O que desapareceu foi a fonte oficial de atualizações e a governança comunitária.
A questão que fica é: surgirá um fork mantido pela comunidade? Isso exigiria não apenas o código, mas também desenvolvedores, testes e manutenção contínua. Até o momento, não há um esforço organizado visível para preservar o projeto de forma independente.
Alternativas para quem precisa continuar
Para quem busca alternativas open source no curto prazo, o cenário é limitado. O CalculiX oferece dinâmica explícita, mas não no mesmo nível de maturidade do Radioss para cenários de crash.
O OpenFOAM, embora poderoso em CFD, não é um solver de elementos finitos estrutural. Para muitos usuários, a única saída viável pode ser migrar para o Simcenter Radioss comercial ou explorar soluções proprietárias concorrentes.
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FAQ: perguntas frequentes sobre o fim do OpenRadioss
1. O código do OpenRadioss ainda está disponível em algum lugar?
O repositório oficial no GitHub foi removido e retorna erro 404. No entanto, cópias do código obtidas antes do fechamento continuam válidas sob a licença AGPL. É possível que forks não oficiais ainda existam, mas sem garantia de atualizações ou suporte.
2. Qual é a diferença entre o Simcenter Radioss e o programa Shared Source?
O Simcenter Radioss é o produto comercial completo, com suporte oficial, bibliotecas de materiais avançadas e integração com o ecossistema Siemens. O programa Shared Source é um ambiente fechado de P&D onde parceiros aprovados podem acessar o código-fonte e um ambiente HPC privado, mas sem as liberdades do open source.
3. Quem já usa OpenRadioss precisa parar de usá-lo imediatamente?
Não. Se você possui uma cópia do código e uma licença AGPL válida, pode continuar usando o software indefinidamente. O problema é a falta de atualizações, correções de segurança e evolução da ferramenta. Para projetos de longo prazo, isso pode ser um risco.
Checklist: o que fazer se você depende do OpenRadioss
Copie esse Checklist para usar.
□ Verifique se você possui uma cópia local do código-fonte e dos binários
□ Confirme os termos da licença AGPL para o seu caso de uso
□ Avalie se o Simcenter Radioss comercial atende às suas necessidades
□ Considere o programa Shared Source da Siemens, se você for academia ou parceiro industrial
□ Mapeie alternativas como CalculiX ou solvers proprietários para cenários críticos
□ Documente seus fluxos de trabalho dependentes do OpenRadioss
□ Comunique sua equipe sobre a descontinuação e planeje a transição
Conclusão: o que isso significa para o futuro do open source industrial
O caso OpenRadioss ilustra um risco estrutural de projetos open source patrocinados por empresas: a licença garante direitos sobre o código publicado, mas não garante acesso permanente ao repositório original nem envolvimento contínuo do fabricante.
Para as organizações que integram software aberto em seus fluxos de trabalho, essa distinção é tão importante quanto a própria licença.
Se você trabalha com simulação de crash ou dinâmica explícita, comece hoje a planejar sua transição. Baixe nosso checklist de migração e avalie quais alternativas fazem sentido para o seu contexto.
Compartilhe este artigo com colegas que dependem do OpenRadioss e deixe nos comentários qual caminho você pretende seguir.

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