A Siemens encerra o OpenRadioss e comunidade cria OpenCourant, fork open source para simulação de colisões e impactos. Entenda o que muda e como migrar sua CAE.
O que aconteceu com o OpenRadioss?
Em outubro de 2026, a Siemens tomou uma decisão que pegou de surpresa a comunidade de engenharia e simulação computacional: encerrou abruptamente o projeto OpenRadioss, removendo o repositório do GitHub e redirecionando o site para uma página de transição.
O OpenRadioss era a versão open source do Radioss, um solver de elementos finitos desenvolvido pela Altair Engineering para simulação de colisões, impactos, explosões e outros eventos dinâmicos altamente não lineares.
A Altair havia aberto o código do Radioss sob a licença GNU AGPLv3 em setembro de 2022, criando um ecossistema vibrante de pesquisadores, desenvolvedores e engenheiros que contribuíam ativamente para o projeto.
A Siemens adquiriu a Altair em março de 2025 e, após mais de um ano mantendo o repositório público, decidiu encerrar completamente o acesso ao código.
A justificativa oficial da Siemens é a consolidação de esforços no produto comercial Simcenter Radioss e em um novo programa de P&D com parceiros selecionados, que ela chama de ambiente "Shared Source".
Na prática, isso significa que o código-fonte não está mais disponível publicamente para quem deseja estudá-lo, modificá-lo ou utilizá-lo em projetos próprios.
Por que isso importa para engenheiros e pesquisadores?
O Radioss é um solver de elementos finitos com mais de 30 anos de mercado, utilizado por indústrias automotiva, aeroespacial e de defesa para validar projetos antes de construir protótipos físicos.
A versão open source democratizou o acesso a essa tecnologia, permitindo que pequenas empresas, universidades e pesquisadores independentes realizassem simulações de alta complexidade sem arcar com licenças comerciais caras.
Para o ecossistema brasileiro de engenharia, a notícia tem impacto direto. Muitas universidades e institutos de pesquisa utilizam o OpenRadioss em projetos de iniciação científica, mestrado e doutorado.
A remoção do repositório não invalida cópias já distribuídas — a licença AGPLv3 garante que qualquer pessoa que possua uma cópia pode continuar usando e redistribuindo o código. No entanto, sem um repositório centralizado, a colaboração comunitária fica comprometida.
💡 Experiência prática: Em ambientes acadêmicos brasileiros, o custo de licenças CAE comerciais é frequentemente um gargalo para a pesquisa. O OpenRadioss representava uma alternativa viável para validar modelos de impacto veicular e análise de falhas em componentes mecânicos, especialmente em laboratórios com orçamento limitado.
O que é o OpenCourant e como ele resolve o problema?
Foi justamente para preencher esse vazio que surgiu o OpenCourant. Liderado por Brian Clemens, fundador e vice-presidente da Rocky Linux e da Rocky Enterprise Software Foundation (RESF), o OpenCourant é um fork comunitário do OpenRadioss que carrega todo o histórico de commits do projeto original.
O nome é uma homenagem ao matemático Richard Courant e à condição CFL (Courant-Friedrichs-Lewy), um critério de estabilidade fundamental para solvers de dinâmica explícita. O projeto mantém a mesma licença GNU AGPLv3 do original e será executado como parte da RESF.
Em poucos dias desde seu lançamento, o OpenCourant já distribui pacotes para Linux e Windows x86_64, com um pipeline de build reconstruído do zero após a infraestrutura proprietária da Siemens não poder ser transferida.
A comunidade também está mobilizada para recuperar dependências binárias que não estavam no histórico do Git e foram perdidas com o fechamento do repositório original.
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Tabela comparativa: OpenRadioss vs. OpenCourant
Como migrar do OpenRadioss para o OpenCourant?
A migração é mais simples do que parece. Como o OpenCourant é um fork direto, os arquivos de entrada (.rad ou decks de simulação) permanecem compatíveis. O fluxo básico envolve baixar os binários mais recentes do repositório oficial do OpenCourant no GitHub, configurar as variáveis de ambiente e executar o solver com seus modelos existentes.
📋 Checklist rápido de migração:
Copie e use esse Checklist
□ Baixe os binários mais recentes do OpenCourant no GitHub (github.com/OpenCourant/OpenCourant)
□ Configure as variáveis de ambiente: export OPENRADIOSS_PATH=/caminho/para/opencourant
□ Adicione as bibliotecas de runtime ao LD_LIBRARY_PATH
□ Teste com um modelo simples (ex.: impacto de placa) para validar a instalação
□ Verifique a compatibilidade dos seus decks de simulação existentes
□ Contribua com issues ou pull requests se encontrar problemas
□ Participe das discussões da comunidade no GitHub Discussions
Para quem está começando agora, a documentação do OpenCourant segue a mesma estrutura do OpenRadioss original, com guias de instalação, execução e construção a partir do código-fonte.
FAQ — Perguntas frequentes
1. O OpenRadioss ainda pode ser usado mesmo após o encerramento?
Sim. A licença GNU AGPLv3 é irrevogável. Qualquer pessoa que possua uma cópia do código ou licençados binários pode continuar usando, modificando e redistribuindo sob os termos da . O que mudou é que não há mais um repositório oficial mantido pela Siemens para atualizações e suporte.
2. O OpenCourant é confiável para uso industrial?
O OpenCourant está em fase inicial, mas já distribui pacotes funcionais para Linux e Windows. A confiabilidade virá do engajamento da comunidade e da validação contínua. Para projetos críticos, recomenda-se testar extensivamente antes de substituir completamente soluções comerciais.
3. Como posso contribuir com o OpenCourant?
Você pode contribuir reportando bugs, enviando pull requests, participando das discussões no GitHub ou ajudando a recuperar dependências binárias perdidas. A comunidade está especialmente interessada em contribuições de ex-usuários do OpenRadioss que possuam binários antigos.
Conclusão: O que fazer agora?
O encerramento do OpenRadioss é um lembrete importante sobre os riscos de depender de projetos open source mantidos por empresas que podem mudar de estratégia.
A boa notícia é que a licença AGPLv3 cumpriu seu papel: garantiu que o código não fosse perdido e permitiu que a comunidade criasse o OpenCourant.
Sua próxima ação:
1. Baixe o OpenCourant e teste com seus modelos existentes.
2. Compartilhe este artigo com colegas de engenharia e simulação.
3. Comente abaixo: você já usou o OpenRadioss? Qual sua experiência?
A simulação computacional open source no Brasil depende de uma comunidade ativa. Não deixe o conhecimento se perder — participe!

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